Consciência Jornada do coração

Jornada do Coração : Fraternidade

Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz. Se não há mais amor dentro de você, se você continua a ver os outros como inimigos, não importa o conhecimento ou o nível de instrução que você tenha, não importa o progresso material que alcance, só haverá sofrimento e confusão no cômputo final. O homem vai continuar enganando e subjugando outros homens. Basicamente, todo mundo existe na própria natureza do sofrimento, por isso insultar ou maltratar os outros é algo sem propósito. O fundamento de toda prática espiritual é o amor. Que você o pratique bem é meu único pedido. (Dalai Lama)

As instituições que eram magníficas há 9000 anos, são velhas hoje; o objetivo que elas estavam destinadas a atingir está ultrapassado; um novo progresso se prepara, sem o qual todas as outras melhorias sociais estão sem bases sólidas; esse progresso é a fraternidade universal da qual o Cristo lançou as sementes e que germinará nos corações daqueles que estiverem preparados.

“O progresso é a fraternidade em seu nascimento, porque a fraternidade completa, tal qual o espírito pode imaginá-la, é a perfeição. A fraternidade pura … é a base de todas as instituições morais, e o único meio de elevar um estado social que possa subsistir e produzir efeitos dignos da grande causa pela qual combateis.” (Alan Kardec )

Todos queremos ser fraternos e ter a fraternidade como uma das características pessoais. No entanto, estamos sempre a descobrir que ora somos, ora não; numa situação somos e noutra não; com uma pessoa somos e com outras não…

Por estarmos nesse nível de consciência na terceira dimensão , pode não ser possível comportamentos perfeitos, mesmo que o entendimento já esteja mais avançado. Ainda assim… será que realmente entendemos o que é ser fraterno, fraternal, possuir fraternidade?

Em essência, somos todos irmãos vivendo em Deus, todos da mesma Fonte. E quanto mais evoluirmos, mais sentiremos essa irmandade por todos os seres, humanos e não humanos. Sentiremos, pois estaremos restabelecendo a conexão com aquilo que ja É.

Sentiremos! E é isso que importa: sentir!

Fraternidade teórica é só uma conversa bonita. Sentir é que é a essência.

Também sabemos que após a criação, quando éramos simples e ignorantes, fomos nos diferenciando e diversificando, pelo processo evolutivo nos vários reinos, até chegar à condição humana, onde a especificidade individual continua se fazendo. Ou seja, diferimos no modo de pensar, de entender e de nos expressarmos, seja em palavras ou atos.

E ao mesmo tempo entramos num estado de condenação dos outros, o que é como estar cegos. Jesus nos advertiu das armadilhas que encontramos ao julgar os outros. Ele sabia que nossos julgamentos se baseiam em informações distorcidas por nosso modo de ser e que não correspondem a realidade do outro, mas á nossa realidade interna.

Acreditamos que sabemos a verdade completa a respeito das coisas e das pessoas para nos sentirmos seguros, achando que dominamos completamente a situação e que nada novo virá nos perturbar. Isso é maya e esse temor do desconhecido é a base da intolerância. Ele nos leva a julgar e rotular pessoas e coisas. Quando sentimos esse tipo de medo, condenamos tudo o que não compreendemos.

Por isso tudo, uns são mais fraternos que outros. Uns já começam a sentir a fraternidade universal e outros ainda não, sabendo ser fraternais apenas com os entes queridos.
E há até quem confunda fraternidade com conivência, com mimos, com dar privilégios aos que ama, com concordar em tudo, com domínio, com manipular pensamentos e sentimentos, por considerar que sabe o que é o melhor.

Há também quem cobre a fraternidade…a própria e a alheia!

Pensando bem, se ser fraterno é sentir-se irmão, esse sentimento é que caracteriza a fraternidade! Tendo-o podemos ser fraternos, na proporção que for; sentindo a verdadeira irmandade, que é a compreensão e respeito por aqueles que também somos nós.

Sentir que o outro é um irmão implica em ter absoluta convicção de que o é, não importando quem seja, o que faz e o que pensa.

Sem dúvida temos um tanto de fraternidade, mas gostaríamos de ter mais… tudo! Aceitar-se como é, implica em estabelecer paz interior e possibilidade de ampliar o que já alcançamos. Condenar-se, culpar-se, abominar-se por não ser como gostaria, é adotar uma postura maldosa e cruel consigo mesmo, abrindo portas para perturbações emocionais e espirituais, doenças físicas e a instalação subjacente e insidiosa da hipocrisia. ( isso vale para os ‘outros’ também )

As convenções sociais religiosas, os padrões artificialmente impostos de condutas ideais, podem fazer com que uns vigiem os outros, apontando dedos e comentando que este… aquele… E essa força agressiva poderá impelir muita gente a aparentar o que não é ou a deplorar-se, por pensar que não tem valor nem qualidades.

Numa época de Natal, muita fraternidade falsa é exposta e quantos dão esmolas para sentir-se fraterno!

Melhor será se nos olharmos com respeito, percebendo condicionamentos mentais limitantes e que nos depreciam para nós mesmos, e criarmos planos de trabalho pessoal para um auto entendimento de melhor qualidade, com exercitamento prático das características que queremos ampliar. Tudo isso, com muita consideração por si mesmo.
Quem sabe seja mais eficiente, se em vez de pensar que os outros são seus “irmãos”, você pense que é você que é “irmão” deles!

Percebendo um pouco da grandiosidade que é a fraternidade, ela seria comparativamente, como um grande telhado, que para existir precisa se apoiar em paredes fortes e resistentes, as quais necessitam estar solidamente sustentadas nos alicerces. Quais são os alicerces de conhecimento e sentimentos que garantem a solidez de paredes, ou seja, outros conhecimento e sentimentos, deles desdobrados e desenvolvidos, que permitam a existência da verdadeira fraternidade? Quais desses alicerces já temos? E paredes? Sólidas, isto é, com a firmeza da vivência?

Todo o externo são apenas canais para se chegar a construção que é apenas e tão somente de cada um de nós juntos e conectados.

Observe a si mesmo e perceba sua conexão com toda existência. Vibre o amor e o pratique que ,naturalmente, será guiado…

Ahoo, meus irmãos!

Texto adaptado de :

Revista Espirita – 1861- Alan Kardec ( O Ideal da Fraternidade)

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