Consciência Jornada do coração

Jornada do Coração : A Lua e os Ciclos

A Lua é o corpo celeste mais próximo da Terra (384.000 km de distância), que se movimenta tanto ao redor do planeta quanto de si mesma. Seu movimento ao redor da Terra dura aproximadamente 27 dias e 8 horas, tempo chamado de período sideral. Já o período entre duas fases iguais e consecutivas é chamado de lunação (ou mês lunar) e dura aproximadamente 29,5 dias.


À medida que a Lua se desloca em sua órbita ao redor da Terra, é vista formando alguns ângulos com o Sol (que é a sua fonte de iluminação). Por isso, ela aparece sob diferentes aspectos (fases lunares), durante os quais sua forma parece variar gradualmente, sempre a partir de uma mesma face – ainda que todas as faces da Lua sejam iluminadas pelos raios solares, somente um lado pode ser visto pela Terra.
Para compreender o movimento de uma lunação, é possível divido-lo em quatro principais fases: Lua novaLua quarto-crescenteLua cheia e Lua quarto-minguante. Na Lua nova, a face iluminada não pode ser vista da Terra, e vai ficando cada vez mais visível até, aproximadamente 1 semana depois, chegar em sua fase Quarto-crescente – nesta fase, metade do disco iluminado já pode ser vista da Terra. Na Lua cheia, toda a face iluminada está voltada para a Terra, e torna a ficar gradativamente menos visível, chegando em sua fase Quarto-minguante, quando, novamente, somente metade do disco iluminado pode ser visto, mas em sentido contrário ao de sua fase Quarto-crescente.

Para marcar a passagem do tempo, alguns povos antigos se baseavam em fenômenos naturais que se repetem periodicamente, como os movimentos do Sol e da Lua. Há cerca de 5.500 anos, surgiu um dos primeiros calendários, o dos povos que habitavam a Babilônia. O calendário babilônico era lunissolar, o que significa que utilizava o Sol e a Lua como referências. O ano era composto de 12 meses lunares (com durações de 29 ou 30 dias), possuindo, portanto, 354 dias – 11 a menos que o ano contado a partir da observação do Sol. Para ajustar o ano lunar com o ano solar, periodicamente era acrescentado um 13º mês.

A Lua sempre foi considerada o marcador natural das mudanças periódicas que ocorriam no reino mineral, vegetal e animal, assinalando as etapas e os padrões do eterno ciclo de vida e morte. Como um espelho prateado, a Lua mostra o momento certo para o plantio, a colheita, o acasalamento de animais, a caça, a pesca, as viagens e as mudanças climáticas.

O CICLO LUNAR PESSOAL


Além de ser uma das principais influências de calendários em uso pelos povos primitivos, o padrão rítmico da Lua era relacionado aos ciclos femininos, às épocas de fertilidade animal, de plantio e colheita e ao movimento das marés. Considerada por várias culturas como o símbolo celeste do feminino, a Lua era invocada em rituais para promover a fertilidade e assegurar o crescimento e a nutrição vegetal, animal e humana.

É fato que a Lua exerce influências sobre as marés, as plantas e os comportamentos animais. E ainda que haja bastante especulação acerca de tal temática, suspeita-se que ela realmente também exerça influências sobre o corpo humano, além de simbolizar movimentos dos ciclos femininos. Um exemplo é que a duração aproximada dos ciclos menstruais é a mesma do mês lunar – 29 dias. Além disso, em muitos idiomas, as palavras para Luamês menstruação têm raízes semelhantes.

Donna Cunnighan afirma que, na Antiguidade, mulheres costumavam menstruar juntas na mesma fase lunar, tendo em vista que, principalmente na vida tribal, elas viviam em grande proximidade e celebravam juntas cada mudança de seus ciclos e as correspondências com os ciclos naturais. Ademais, cada fase dos ciclos femininos seria representada por alguma figura arquetípica proveniente de divindades femininas, das faces da Deusa-mãe e fases da Lua.
A mulher seria, portanto, regida por um ciclo lunar pessoal, em que as fases lunares representam os estados da alma, os valores do inconsciente, as emoções, o psiquismo, a receptividade, sensitividade, fertilidade, inspiração e intuição. Cada passagem da Lua caracteriza aspectos psicológicos e estágios de transformação que acompanham a trajetória mensal e anual da vida da mulher.

Na Lua Nova, a maré está baixa e a seiva das plantas está concentrada nas raízes. Relacionada ao Inverno, esta etapa representa o arquétipo da Bruxa. É o tempo oportuno para transmutar as energias e dar lugar às novas coisas, iniciar novos projetos, plantar novas sementes.

No Quarto-crescente, com o aumento da influência gravitacional da Lua sobre a Terra, a seiva das plantas começa a subir. Esta etapa é relacionada à Primavera e representa o arquétipo da Jovem, sendo uma fase de crescimento, fertilidade, período ideal para revisar projetos e dar início a outros.

Na Lua Cheia, a maré está alta e a seiva das plantas se encontra nas folhas. É uma fase relacionada ao Verão, representando o arquétipo da Mãe. A energia está em seu potencial máximo e é tempo de muita expressividade, criatividade, plenitude, amadurecimento e colheita dos frutos plantados.

No Quarto-minguante, a seiva das plantas começa a se mover para baixo, com a diminuição da influência gravitacional da Lua. É relacionada ao Outono e representa o arquétipo da Xamã, a Anciã, estando presentes energias de finalização, desintegração, reorganização, limpeza, reflexão e descanso.

Se o ano é uma canção, a Lua é a batida do tambor que marca o ritmo com suas fases, mudando o tom ao passar pelos signos zodiacais, crescendo e minguando por treze vezes enquanto completa um círculo perfeito.

OS CICLOS PARA OS EGÍPCIOS

A concepção egípcia do tempo assentava na união de duas ideias complementares de eternidade: djet, uma contagem linear de ciclos que se iniciavam cada vez que um novo rei subia ao trono, sucedendo-se uns aos outros de forma irreversível e cujo determinativo de terra o ligava mais às ideias de permanência e duração; e neheh, uma contagem cíclica baseada na periodicidade dos fenómenos cósmicos, em particular no movimento do Sol, que se repete todos os dias regenerando-se, por isso ligada à ideia de «nascer», «transformar-se», «devir». A própria concepção de história no Egipto antigo era uma «celebração» do eterno retorno à «primeira vez», ao tempo em que o criador estabelecera a ordem primordial que o faraó teria que manter. Através do mito osiríaco, o rei assumia-se como um novo Osíris, entrando na eternidade (neheh) perpetuamente (djet), dois conceitos que ao aparecem juntos expressavam a ideia de «para todo o sempre». É a coexistência perfeita de dois conceitos diferentes: um tempo cíclico marcado pelas tradições e pelos rituais religiosos, e, por isso, relacionado com o sagrado; e um tempo linear, mais pautado pela actividade quotidiana e, portanto, profano. A união destes dois conceitos representava a totalidade do tempo.


Aparentemente utilizavam dois calendários: um baseado no percurso solar e nas fases da Lua, o calendário civil ou móvel e outro na elevação helíaca de Sírio, o calendário sotíaco ou fixo. Contudo, independentemente de algumas questões que possam ainda manter-se em aberto em relação à coordenação entre os dois (como a não concordância entre os ciclos astronómicos ou a fracção excedentária de ¼ que tem cada ano solar de 365 dias), com base em documentos astronómicos que se apoiam em Sírio e Orion, o par masculino de Sírio (aparecem sempre juntas, em posição central, nas representações do calendário sotíaco), nas diversas personificações astrais e, até, noutros textos não astronómicos, é fortemente plausível que o calendário faraónico tenha reunido os ciclos do Sol, da Lua e de Sírio num sistema único, um «grande ano» de 1461 anos, um sistema que em vez de anular a contagem civil, implicava a sua manutenção, uma vez que o atraso de um dia de quatro em quatro anos do calendário em relação ao tempo astral, só se anulava ao fim dos 1461 anos em que se cumpria o período sotíaco.

Muitos especialistas consideram o calendário egípcio alicerce daquele que é usado atualmente com carácter universal, como o mais racional, ordenado e claro de todos os que foram criados ao longo da História.

OS CICLOS VICIOSOS DE SAMSARA

Samasara significa, literalmente ,’vagando’ e vagando pelos variados ciclos da inconsciência e consciência…É um processo e nele temos a tendência de continuar criando mundos e depois entrar neles. À medida que um mundo desmorona, você cria outro e vai para lá. Ao mesmo tempo, você se depara com outras pessoas que também estão criando seus próprios mundos.

O jogo e a criatividade no processo às vezes podem ser agradáveis. Na verdade, seria perfeitamente inócuo se não acarretasse tanto sofrimento. Os mundos que criamos continuam desmoronando e nos matando. Mover-se para um novo mundo exige esforço: não apenas as dores e riscos de nascer, mas também as duras pancadas – mentais e físicas – que vêm da infância até a idade adulta, repetidamente. O Buda certa vez perguntou a seus monges: “O que vocês acham que é maior: a água nos oceanos ou as lágrimas que você derramou enquanto vagava?” Sua resposta: as lágrimas. Pense nisso da próxima vez que olhar para o oceano ou brincar com suas ondas.

Além de criar sofrimento para nós mesmos, os mundos que criamos se alimentam dos mundos dos outros, assim como os deles se alimentam do nosso. Em alguns casos, a alimentação pode ser mutuamente agradável e benéfica, mas mesmo assim o arranjo deve chegar ao fim. Mais tipicamente, causa danos a pelo menos um lado do relacionamento, geralmente a ambos. Quando você pensa em todo o sofrimento que envolve manter apenas uma pessoa vestida, alimentada, protegida e saudável – o sofrimento tanto para aqueles que têm que pagar por esses requisitos, quanto para aqueles que têm que trabalhar ou morrer em sua produção – você vê como pode ser explorador mesmo o processo mais rudimentar de construção do mundo.

É por isso que o Buda tentou encontrar uma maneira de parar o samsara-ing. Assim que o encontrou, ele encorajou outros a segui-lo também. Como o samsara-ing é algo que cada um de nós faz, cada um de nós precisa parar sozinho. Se o samsara fosse um lugar, pode parecer egoísmo uma pessoa procurar uma saída, deixando outras para trás. Mas quando você percebe que é um processo, não há nada egoísta em pará-lo. É como abandonar um vício ou um hábito abusivo. Quando você aprende as habilidades necessárias para parar de criar seus próprios mundos de sofrimento, pode compartilhar essas habilidades com outras pessoas para que elas parem de criar os seus. Ao mesmo tempo, você nunca terá que se alimentar do mundo dos outros, então, nessa medida, você também estará aliviando a carga deles.

O primeiro passo para a libertação desses ciclos de sofrimento é a tomada de consciência deles. Comece a observar e a anotar quais são as coisas que mais se repetem no seu dia a dia e como você sente e reage quando acontece.

Medite sobre os resultados e tenha paciência para rever as causas desses ciclos repetitivos. Quando tomar consciência da causa, transforme-a da maneira que puder e de olá ao novo que viverá.

O REFLEXO DO CICLO DA VIDA

A palavra ‘ciclo’ vem do grego ”kukaos’ (kyklos = roda, cículo) . Os Ciclos são movimentos circulares que acontece de vez em quando, com seu surgimento, o mantimento e sua destruição. Assim como o círculo também, o ciclo é o giro pelas várias formas de ser dentro do ciclo de morte e renascimento.

A Vida, como vida, também é a morte e dentro dela vivenciamos a ciclicidade para sempre nos transformarmos em novos seres e isso a natureza nos mostra com a lua, as estações, os equinócios; as contelações; todos eles marcando a entrada e saída dos níveis de consciência da Vida, ensinamento que nos coloca em harmonia e unidade com nosso verdadeiro ser; nos chama a manifestar com totalidade e viver em autenticidade.

Na filosofia dos Vedas,uma literatura muito antiga do mundo, é mencionado as três energias ciclícas nas quais todo universo está contido, estas são a energia de criação, mantimento e destruição, a qual é também Brahma, Vishnnu e Shiva.

Brahman, que é o “inacessível”, pois é a fonte e substrato de tudo o que existe e de toda experimentação pode se expressar de uma maneira física no nosso Universo manifestado, e quando ele está assim manifestado é conhecido como Ishwara.

Ou seja: Ishwara é o “Senhor Absoluto” manifestado em nosso Universo perceptível, como se fosse um “espelho” de Brahman. Este mesmo Ishwara é dividido em três aspectos: Criador, Mantenedor e Destruir. Que são respectivamente: Brahma, Vishnu e Shiva.

Quero esclarecer também que: Este Ishwara, bem como seus três aspectos são reais apenas no campo ilusório da manifestação. Ou seja: Não existe um ponto do Universo específico onde está sentado Vishnu em seu trono ao lado de Shiva, comendo uvas enquanto vigiam a humanidade etc.

Se você acreditar que a trimúrti existe fisicamente, eles existirão fisicamente. Se você acreditar que eles são aspectos de energia do Universo, eles o serão. Se você acreditar que eles são expressões da sua própria essência, é isso que eles serão. Mas independente de como eles se apresentarem, os seus aspectos característicos serão os mesmos: Criador, Mantenedor e Destruir.

Outro ponto interessante é que o Ishwara não é imortal, ele é destruído e recriado a cada novo ciclo de Universo. Então, a cada nova criação, o primeiro a existir é:

BRAHMA – A CRIAÇÃO

Ao abrir os olhos e mirar o vazio potencial, de maneira espontânea e incausada ele sente a necessidade de criar, e então o Universo, o tempo, os elementos e todo o resto é criado.

Brahma é a primeira energia potencial, ele é o desejo intrínseco e incausado de que haja manifestação após o período de inatividade Universal. Brahma tem tanto livre-arbítrio de desejar criar, quanto uma semente tem de dar origem a uma árvore. É de sua natureza e ocorre de maneira espontânea. A cada nova criação, alterações são feitas, o que dá origem a novos Universos muito parecidos, mas com pequenas diferenças, que causam histórias totalmente diferentes.

VISHNU – O MANTIMENTO

Vishnu disse a Brama: “Eu cuido da tua obra e velarei por ela dia após dia” – Ele é quem cuida da manutenção e preservação do UnShiva não faziverso. Ele é principalmente conhecido pelos seus avatares que são manifestados de tempo em tempos no nosso Planeta. Os seus avatares mais famosos são: Matsya, Rama, Buda e Krishna. Segundo a mitologia, Vishnu já encarnou em nosso planeta 9 vezes, faltando apenas uma última vez.

Sempre que forças malignas ameaçam a ordem do nosso Planeta, Vishnu envia sua forma encarnada para restabelecer a ordem.

Vishnu é esmagadoramente adorado pelos seus seguidores e as vezes considerado até mais importante que Brahma, pois é de seu umbigo que Brahma surge e dá inicio a um novo ciclo de criação (sim, Vishnu é quem dá origem a Brahma, mesmo Brahma sendo quem cria tudo… vá se acostumando, pois a ideia já conhecida de tempo linear não cabe aqui, tudo é interconectado num eterno presente de Brahman).

SHIVA- O DESTRUIDOR

O título de Shiva não faz jus a sua verdadeira natureza. Algumas pessoas podem encarar o título de destruidor como se fosse algo ruim, mas na verdade Shiva é quem mantem o Universo em constante renovação. É necessário remover algo antigo para algo novo possa ser criado. E esta é a sua função.

É Shiva que faz com que a passagem do tempo por exemplo seja possível, pois sem a destruição do momento presente transformando-o em passado, não seria possível a criação do futuro. Shiva mantem as energias do Universo em constante mudança e movimento. Dizem que enquanto Shiva dança batendo seu tambor, o Universo permanece em uma constante transformação, sempre completamente destruído e reconstruído em uma fração de um mínimo de tempo inimaginável, e sempre que Shiva para por um instante para afinar o seu tambor, tudo deixa de existir, mas logo em seguida volta a existir exatamente de onde havia parado, quando Shiva recomeça.

Lembrando que Shiva só pode destruir o que é passível de ser destruído: Brahman por exemplo é Absoluto e anterior a Shiva, portanto este não pode ser afetado nem por este.

Shiva é muitas vezes retratado coberto de cinza de piras funerárias e retratado em locais de concentração de pessoas mortas, por conta do seu poder de destruição e renovação. Sem Shiva, estariamos em um eterno estado de Tamas, inércia.

O CICLO DE AQUÁRIO

A nova era de Aquário é marcada pelo resgate daquilo que começamos lá atrás, esquecemos por um tempo , e agora estamos nos lembrando e acordando com novas atualizações, lentamente, para vivermos o potencial maxímo de nossa consciência no Amor .

Estamos saindo de um ciclo denso, desafiador e de paradigmas limitantes para adentrar nessa realidade sutil , desafiadora e ilimitada da consciência.

Em todos os ciclos que viverciarmos e nesse vosso de agora desejo aceitação para enxergar, acolhimento para amar e paciência para seguir na mudança.

É difícil desapegar de velhos padrões, se conhecer, ser você mesmo, mas isso é a melhor coisa que podemos fazer para nós mesmos e para o mundo. Tomar esse lugar de autoconhecimento é entrar em unidade com a vida, é um favor que beneficia a todos.

Somos todos mestres de nós mesmos, todos os caminhos são espirituais, existindo eternamente na mente do Todo através das transformações.

Que possamos sempre seguir a sabedoria de nosso coração e viver a vida com totalidade, assumindo que somos muitas faces e que todas elas são o Amor existindo e se transformando eternamente na mente espiralada do Todo.

Que brilhemos como o Sol, lembrando que nosso Espirito é Eterno, assim iluminando e vivendo a ciclicidade sem medo. Que sejamos guiados pela sabedoria da natureza; junto á ela nesse fluxo e refluxo da Vida.

*para aqueles que querem se conectar á essa energia, hoje estamos no alvorecer da lua crescente, ótimo momento para dar luz a novo !❤

AHOO!

Referências :

A lua e os ciclos femininos( mulher cíclica) – Novo Yoga ( Trimurti) – O calendário egípcio – Samsara (Thanissaro Bhikkhu)

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